T.R.E. RAIVA, DEPRESSÃO E ACEITAÇÃO


RAIVA
Esta fase é caracterizada pela inveja, culpar os outros, ressentimento e, por vezes fúria. A nossa raiva pode ser especifica e direcionada, ou pode ser geral, atirada a nossa volta ao acaso. Pode ser racional ou irracional, justificada ou injustificada, sensata ou sem sentido. Podemos dar pontapés no gato e berrar com as crianças, mas no fundo não estar furiosos com nenhum deles. Estamos com raiva de nossa perda. Podemos culpar os outros e nós mesmos pela situação em que nos encontramos. Podemos ter inveja daqueles que tem o que nós perdemos.
Por que é que eu não posso beber um cocktail antes do jantar sem acabar bêbado e sem sentidos à meia-noite? Ou por que não posso fumar apenas um baseado, sem ir logo depois pra cheirar cocaína ou fumar crack?
Podemos manter esse lengalenga interminavelmente, assumir maus sentimentos ou mesmo explodir num grande abuso verbal. Esta raiva pode por vezes ser perigosa, tanto para a pessoa que sente como para a pessoa que é objeto dela.
Trocamos, nesta fase, o “eu não!” Para “por que eu?” “É culpa sua” e “não é justo”. Estamos loucos. Normalmente por trás da raiva está o medo, a culpa e a vergonha. Tal como precisamos da negação, precisamos agora da raiva.
“Não há problema em atravessar esta fase” diz Olson. “ A raiva é um  combustível se não for trabalhada. Mas precisamos lidar com ela de maneira apropriada”.
-Negociação/barganha.
Após ventilarmos a nossa fúria, podemos tentar adiar de modo a evitar ou adiar a perda. Estas negociações podem ser feitas com Deus ou vagamente com a vida. De acordo com Olson, esta fase é normalmente caracterizada por SE... ENTÃO... frases que medem o que damos conta daquilo que recebemos. Algumas vezes os nossos acordos são construtivos, realistas e obtém o resultado pretendido. “Se recebermos ajuda para o nosso casamento, então não teremos de nos divorciar”. “Se eu for buscar ajuda para o meu problema de bebida, então não vou ter de morrer”.
No entanto, normalmente, as nossas negociações não são realistas. O alcoólico vai tentar um acordo em que apenas bebe cerveja, ou me que só bebe em um final de semana por mês. “Eu só pensava: se eu limpar a casa mesmo bem desta vez, então ele não vai ficar furioso e beber” dizia a mulher de um alcoólico. Nestes casos, quando já não podemos adiar o inevitável, temos de o viver.
DEPRESSÃO
Avançamos agora para um período de tristeza. Desde que pela primeira vez dissemos: “Isto não pode ser verdade”, que fomos empurrados para este momento. É talvez a essência da dor – estando de luto completamente. É o ponto mais alto do processo de aceitação e da emocional na sua forma mais pura. Choramos pelo que perdemos e sobre o que vamos perder no futuro. Chegou a hora de chorar.
Esta tristeza pode levar horas, dias semanas, ou meses. “Quando humildemente nos rendemos, este processo começa”. “Esta depressão só desaparecerá quando o processo for ultrapassado”.
ACEITAÇÃO
Quando já não precisamos bloquear, sentir raiva ou fazer acordos depois de ter lidado com a tristeza, vamos chegar a uma fase de aceitação. Não é a resignação e nem o desespero de desistir é uma sensação de para que? Ou de “estou farto de lutar”, apesar de também ouvirmos estas frases escreve Kubler-Ross em On Death and Dying. Elas também indicam o inicio do fim da luta, apesar de as últimas não serem indícios de aceitação. A aceitação não deve ser confundida com uma frase feliz.
É praticamente vazia de sentimentos. É como que se a dor tivesse ido embora, a luta acabou...
Estamos em paz com o que é e livremente admitimos a nossa impotência sobre as adicções. Deus nos deu a serenidade de aceitar o que podemos modificar.
A seguir a aceitação cresceu. Isto implica que não nos limitamos a sobreviver a experiência, mas que mudamos ou fomos melhorados por ela. De algum modo, consideramo-nos mais ricos. Se não podemos ver como isso nos beneficiou, temos pelo menos a confiança de que está certo tudo está bem, e que algum dia poderemos perceber o proposito. Podemos aceitar a perda e crescer, mas o caminho não é fácil, nem particularmente confortável. Pode ser estranho e por vezes parecer que vai nos destruir. No momento em que começa, podemos nos sentir em choques e em pânico. Enquanto o vivemos podemos nos sentir confusos, vulneráveis, sozinhos e isolados. Podemos ter uma sensação de falta de controle. Temos de confiar na graça de um poder superior; precisamos nos agarrar a esperança. Em todas as fases exceto na negação, a esperança é uma linha da vida.
É importante compreender e fazer um compromisso a este processo. Isto é valido, benéfico e necessário para a aceitação.
Através deste processo é também importante para a nossa saúde. Chorar a dor não é novidade nem desta nem deste século. Jesus mencionou nas bem aventuranças: “abençoados os que choram, pois serão consolados”. Numa procura para descobrir o que abençoados quer dizer, Donald D. Anderson um padre e psicólogo, refraseia aquele verso de Better Than Blassed.
“Saudáveis são aqueles que choram”, escreve ele. “apesar muito recentemente começamos a realizar que negar a dor e negar uma função humana natural e que tal negação produz consequências graves, continua ele. A dor, como qualquer emoção genuína, e acompanhada por certas mudanças físicas e a libertação de certa forma de energia psíquica. Se essa energia não é gasta no processo de luto mal trabalhado, qualquer conhecimento que contenha uma sensação de perda para si, tem de, e deve ser lidado. Isto não significa uma vida de tristeza permanente. Significa estar capaz de aceitar honestamente um sentimento em vez de rir da dor. Não só é aceitável admitir a tristeza que acompanha qualquer perda como é a opção saudável.
É positivo compreender o luto. As pessoas que sofrem estão vivendo esse processo. Precisamos nos permitir a nós mesmos e aos outros, a liberdade de lutar, sentir e falar sobre este processo se quiserem.
Lembram-se da Lelly na primeira parte desta apostila?
Ela é aquela alcoólatra em recuperação que passou anos a negar que o seu marido era um alcoólico. Após ter parado de negar, ela atravessou um grande período de raiva e depressão. Durante este período ficou com medo e confusa. Parece que estou ficando maluca. Confessou ela. Não estava assim tão confusa desde o meu próprio tratamento para alcoolismo.
Quando kelly percebeu que não estava ficando maluca, mas que estava experimentando uma dor sentiu-se melhor. Continuava a sentir-se triste, mas percebendo o porque. Tudo estava bem. Ela estava bem.
Compreender o processo não vai eliminar a necessidade de atravessá-lo, mas vai ajudar-nos a relaxar, ter menos medo, e lidar com ele, em vez de lutar contra ele. E podemos ser uma boa ajuda para os outros.
Agora que examinamos o lugar da negação no esquema da aceitação, vamos ver com o que se parece à negação, tanto do interior como do exterior.

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